× Capa Meu Diário Textos Áudios Fotos Perfil Livros à Venda Contato
Cristiano Wardil
É no cemitério da vida que a alma floresce
Textos
Onomatopeia
Quisera que o relógio, em seu fastio,
Contasse ao revés, num despropósito,
Enquanto fito, neste instante frio,
O teu reflexo, meu único depósito.

Digo-te, amor, com a voz que me permites:
Para que o artifício, a tinta, o adorno?
Se o teu rosto, sem os seus limites,
É a única paisagem a que retorno.

Apronta-te sem a pressa do mundo.
A pressa para quê?
O tempo é nosso.
Aguardo-te na sala, e me inundo
Da ansiedade que por ti professo.

Espero o teu sorriso que a franja mal contém,
O teu suspiro que a matéria não abafa.
O sopro de alma que só tu tens,
Num corpo que é a minha única epígrafe.

Meço o compasso do meu coração,
Essa máquina de sentir, desregulada,
Que entra em arritmia, em convulsão,
Quando te vejo na porta, anunciada.

Ver-te é a suspensão do ar: apneia.
Não te ter é a asfixia: dispneia.
A nossa junção, a ideia mais alheia,
É a única e sã onomatopeia.
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 16/09/2025
Alterado em 05/08/2026
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários