Te amo em braile
E eu que julguei fazer amor como um cego,
beijar-te como um livro aberto,
sem saber se, ao certo,
respeitaria tuas pontuações.
No arrepio de tua pele,
como quem tudo lê em braile,
e interpreta, em cada toque,
as palavras que não quero que negues.
Eu pensei que soubesse
que o desejo que em ti vejo,
como não vejo em mais ninguém,
é de tudo,
menos terrestre.
E quando me pego em ti pensando,
longe de qualquer raciocínio mundano...
Não é que eu queira somente o teu corpo,
mas que, por ti, eu acabe sonhando.
E quando acordo de tais pensamentos profanos
— pois nos sonhos sou tudo, menos romântico —
por mim, não te desinteresses.
E que eu não me sinta tão patético
ao escrever-te mais verbos,
sabendo que tu
nunca me destinaste
teus próprios versos.
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 22/08/2025
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