Anatomia da Espera
Não há neste mundo valentia maior,
Senão a daquele que ama
E que vive no drama
De não suportar ser apenas mais um nome na cama.
Aquele que anda como quem espera encontrar,
Sem muito roteiro, sem peça, sem ar...
Aquela mulher que faça o passado escoar,
Sua ferida cicatrizar
E todo o resto do mundo parar.
Há quem viva sedento — e estes são raros —
Que busca por pertencimento;
Não só uma boca a tocar,
O corpo a beijar,
Um gozo a contemplar.
Não!
Há quem tenha a coragem de negar
As ofertas de curvas
Que são passageiras,
Que são sorrateiras,
Que são tão ligeiras.
E há quem aceite
O amor verdadeiro,
Que ame os defeitos
Sem muito deleite.
Sem cor, sem raça, sem jeito.
E todos estes sou eu.
Sedento
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 19/08/2025
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