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Cristiano Wardil
É no cemitério da vida que a alma floresce
Textos
Meu espaço oco
Quisera eu ter um infarto
Não por drama, mas por necessidade.
E que me abram
Para que os doutores constatem o óbvio, o já sabido:
Este vão no meio do peito, este espaço baldio.
E que o laudo aponte, em letra técnica e sem alma:
"Paciente oco. Causa mortis: a falta."

E que o teu fim, um dia, por acaso,
Seja a peça exata, o órgão compatível.
E que haja transplante
Para que este meu corpo inabitado,
Este estorvo, receba o teu motor teimoso
E, enfim, aprenda a mecânica
De pulsar no seu compasso

CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 12/08/2025
Alterado em 12/08/2025
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