Eu não choro para fora
Eu não choro para fora
Por isso há pessoas que creem na minha felicidade
Como se o meu sorriso
Forjado
Fosse um convite não dado
Para pessoas que sequer eu quero ao lado
A sombra de quem fui
E de quem eu poderia ser
Fenece na falsa esperança
De que essa espera
Em aguardo
Seria o prelúdio da minha própria liberdade
Estou cansado de sonhar ilusões
E crer que nelas
Serei liberto da realidade
Até me afogaria em fármacos
Se não me faltasse a prescrição
Estou cansado de inventar histórias
Sobre meus feitos forjados
Ter que preencher detalhes
Que nunca existiram
Senão na minha própria falsidade
Os lampejos de esperança
Se esvaem como areia na mão
Deixando apenas o salgado
Já que o pranto
Não escorre no chão
E ainda assim há quem me ame
Não se preocupando com o passado
E pouco importando pelo porvir
Esse é meu único motivo
Que me impeça de partir
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 11/08/2025