O fim das feiras
Se retirassem o álcool das feiras
Menos amizades seriam formadas
Mais divórcios pedidos
Mais maridos extenuados
Os cachorros não teriam sobras
E as barracas venderiam apenas trapos
O Artesanato?
Ignorado!
Alguns vizinhos comemorariam
Pelo som diminuto
E pelas vagas
Vagas
Os fiscais não teriam empenho
Os palhaços não panfletariam
Já que o riso sem álcool
Certamente seria forjado
Muita maquiagem seria necessária
Na viúva sentada na cadeira de plástico
Os gols?
Não seriam tão comemorados
Menos abraços dados
Os bêbados teriam que atuar em novo palco
Os pássaros que fazem ninhada
Acima da chapa abaixo
Acostumados com a gordura
Assobiariam
Os flanelinhas
Coitados...
Ficariam sem seus trocados
Que bizarro!
Justo eles que os juntam
Para trocar pelo álcool
E a água vendida
Quente ou gelada
Serviria apenas para molhar a garganta
Daqueles que
De tanta raiva
Pela falta do éter
Retornariam para a casa
Na certeza de que lá
Certamente lá
No éter
Se acalmariam
E adiariam o divórcio
CRISTIANO WARDIL
Enviado por CRISTIANO WARDIL em 26/05/2025
Alterado em 26/05/2025
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